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  • Augusta Dantas

De trevos de azar e de sorte

Hoje, numa manhã em que me encontrava em modo “queixinhas” e a sentir um aperto no peito que não me permitia respirar profundamente, liguei a rádio e passava a canção brasileira “Trevo”, de Ana Vitória. És trevo de quatro folhas”. Como a música tem o poder de me ajudar a encontrar leveza na minha vida, dei por mim de imediato a cantarolar “És trevo de quatro folhas, manhã de Domingo à toa...”. Entrei então noutro estado de consciência e encontrei-me a ressignificar tudo o que estava a sentir e a perguntar-me:


Quem são os trevos de quatro folhas na minha vida?


Tal como eu, também deves ter percorrido alguns campos, durante a tua infância, procurando ansiosamente o trevo de quatro folhas que prometia trazer a maior das sortes a quem o encontrasse! Tantas e tantas vezes reclamei do azar por - entre tantos episódios de olhos colados aos chãos cobertos de mantos verdes - nunca me ter calhado um em sorte!

E mesmo já adulta, o discurso repetia-se sem que ninguém se lembrasse de me ensinar a importância da ousadia em pensar diferente, em fazer a pergunta ao contrário: O que posso eu fazer para ter sorte na vida e a rechear de trevos de quatro folhas?

Ainda bem que percebi atempadamente que a vida me devolve aquilo que lhe dou e hoje, tenho uma vida de sorte abundante recheada de trevos de quatro folhas.


Nem sempre consigo ter estes olhos gentis e tranquilos que me permitem ter esta visão confiante mas há dias, como o de hoje, em que é impossível não pensar e sentir assim.

Se não vejamos, no mesmo dia desta reflexão matinal e já durante a tarde, ao ir buscar a minha filha mais nova à creche, enquanto aguardava na fila, em conversa com outra mãe, ela olha para o chão e encontra imediatamente dois trevos de quatro folhas! Perante a minha surpresa, partilhou comigo que é algo que lhe acontece recorrentemente e no mesmo chão onde eu já nem via trevos, porque uma máquina tinha andado a limpar o terreno, ela encontrou logo dois. Só me resta pensar que também há gente com olho treinado para encontrar a sorte, onde muitos de nós só veem azar!

E o meu fim de dia terminou bem melhor do que começou. Simplesmente, porque de um modo tão genuíno, imediato e singelo, aquela mulher com quem apenas partilho uns “boa tarde” desta vida, decidiu tão prontamente oferecer-me a sorte dela através de um simbólico trevo.

Depois de atitudes tão grandes como esta, todas as minhas inquietações de diminuíram e a minha fé na vida e no ser humano agigantou-se.

Haverá lá maior sorte do que esta, de ter uma quase estranha, de quem nem sabemos o nome, a partilhar connosco a sua sorte?


Convido-te a pensares em quem são (e quais são) os trevos de quatro folhas na tua vida! Nos vários trevos, desde a tua família, os amigos, os teus passatempos, os teus talentos, os teus prazeres... Estou certa de que, tal como eu, encontrarás bastantes motivos para te relembrares o quão sortudo/a és!


Fonte: Unsplash

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